A ocupação do território paranaense se iniciou no litoral e pode ser dividida em três grandes fases: século XVII - ocupação do litoral e do planalto
curitibano; século XVIII - conclui-se a ocupação dos Campos Gerais; século XIX - ocuparam-se os campos de Guarapuava e os de Palmas. Assim, até meados deste século,
o processo de interiorização se conclui constituindo o chamado Paraná Tradicional.
A ocupação das terras dos Campos Gerais se iniciou logo na primeira década do século
XVIII. Local próprio para o desenvolvimento da
pecuária (tendo o seu limite sul no vale do Rio Iguaçu e extremo norte demarcado
pelo Rio Itararé), os Campos Gerais tornaram-se
então passagem obrigatória na rota do comércio que levava gado e muares do Rio
Grande para o abastecimento de São Paulo e das Minas Gerais.
O povoamento dos Campos Gerais começou em 1704, por iniciativa dos nobres potentados
paulistas José Gois de Morais e
Pedro Taques de Almeida, secundados por outros membros da ilustre linhagem, que no
mencionado ano requereram grandes sesmarias
no território paranaense, abrangendo desde a margem esquerda do rio Itararé às
cabeceiras do Tibagi.
Ligadas ao tropeirismo, ainda no século XVIII, pequenas povoações começaram a surgir
ao longo do Caminho das Tropas.
Nos locais em que as tropas fixavam pouso, fazendo seus pequenos ranchos para
descanso, trato e engorda do rebanho, ou esperando
passar as chuvas e baixar o nível dos rios, logo surgia um ou outro morador,
fundando casa de comércio, interessado em atender às
necessidades dos tropeiros. Dessa forma, pequenas freguesias e vilas, como o
Príncipe (Lapa), Palmeira, Ponta Grossa, Piraí do Sul,
Castro e Jaguariaíva, tiveram seu desenvolvimento inicial dependente das fazendas e
do movimento das tropas.
Migrações estrangeiras espontâneas e esporádicas sempre ocorreram para o território
brasileiro. O grande movimento migratório oficial,
contudo, só se verificou na década de 1870, quando para o Paraná vieram em grande
número os russos-alemães. Em 1877/1878 chegaram
em Ponta Grossa, 2.381 russos-alemães que se estabeleceram na Colônia Octávio,
subdividida em 17 núcleos, afastados do centro urbano.
A partir de então outros grupos foram chegando à cidade e a ela se integrando. Entre
os de maior importância estão os poloneses, alemães,
russos, italianos, sírios, austríacos e portugueses.
A presença desses imigrantes trouxe mudanças para as regiões paranaenses onde se
instalaram, impulsionando, sobretudo, as atividades industriais.
Essa atitude modernizadora ocorreu também em relação a outros setores como comércio,
transporte e cultura. Tais atividades muitas vezes
ocorreram em função das dificuldades com a atividade agrícola que os levaram a
migrar para a zona urbana. A cultura alemã, na visão de
muitos autores, apresenta um caráter associativo, o que incentivou a fundação de
clubes e associações em muitas cidades paranaenses,
entre elas Ponta Grossa. Nessa cidade as iniciativas para a fundação de um clube dos
alemães data de 1896.
O crescimento econômico de Ponta Grossa levou-a a condição de pólo regional no
Paraná, ao longo das quatro primeiras décadas do século XX,
exercendo grande influência na sua área de abrangência. Ocupou a posição de segunda
cidade do Estado no que diz respeito ao contingente
populacional. Em 1908 superou a casa dos 15.000 moradores. Em 1920 chegou a 20.171
pessoas e em 1940, contava com 38.417 habitantes.
A posição de destaque da cidade se confirma, também, pela criação do Bispado em
1926, cuja diocese compreendia doze paróquias em toda A
região dos Campos Gerais.
Ao chegar a década de 1950, encontramos uma nova realidade. O Paraná buscava uma
nova identidade regional devido ao crescimento
vertiginoso de sua população, a ampliação de suas fronteiras e o impulso econômico
da lavoura cafeeira. A terra roxa e o café fizeram a riqueza
e a importância política de sua região norte.
Nesse contexto, iniciou-se também para Ponta Grossa um novo período histórico. A
cidade, historicamente vinculada ao tropeirismo e a economia
agrária - a Ponta Grossa camponesa -, e que no princípio do século XX experimentou
um momento de euforia urbano capitalista - a Ponta Grossa
princesa -, ingressou numa fase correspondente àquela vivida pelo Paraná. A busca de
uma nova identidade transformou-se no grande desafio
para os ponta-grossenses a partir de então.
2. POSIÇÃO GEOGRÁFICA DO MUNICÍPIO
Altitude média:
975 metros
Latitude:
25º50'58'' - SUL
Longitude:
50º09'30'' - W-GR
3. HIDROGRAFIA
Área bem irrigada por ampla rede hidrográfica, onde se destacam os rios: Tibagi,
Verde, Pitangui e também o Arroio da Chapada,
além das bacias hidrográficas do Botuguara, Cará-Cará, Olarias, Rio da Morte, Arroio
Terra Vermelha, Ribeirão Quebra-Perna,
etc. Tais bacias são relativamente pequenas, mas, devido à sua cobertura vegetal de
retenção de umidade, permitem um desaguar
relativamente rápido para as calhas destes cursos d’água.